Um sonho de intercâmbio capítulo 1

Oi gente. Faz duas semanas que comecei a escrever um texto como objetivo de botar uma ideia minha logo no papel. Depois me ocorreu que eu poderia botar capítulo por capítulo aqui para vocês lerem. Eu me esforcei muito nesse texto. Então vamos nessa:

Você tem um sonho? Sabe, um daqueles bem grandes. Que você sonha desde pequena, que fica até tarde da noite fazendo colagens e escrevendo planos para quando ele se realizar, que você fica pensando durante horas como seria. Pois é, eu tenho um sonho. Desde que minha irmã Amanda voltou de seu intercâmbio. Me lembro do sorriso estampado em seu rosto, e da expressão confusa; porque ela não sabia se ficava feliz por nos ver depois de três meses ou se entristecia por perder o contato com sua host Family e seus novos amigos. Seu celular tinha bilhões de novos contatos. Até hoje ela tem uns amigos. Isso faz seis anos, Eu tinha dez e ela dezesseis. Durante seis anos sonhei acordada, brinquei de estudar fora e busquei empresas que me proporcionassem essa experiência. Se eu me precipitei ao fazer tudo isso? Talvez, mas o meu sonho é tão grande que não custa nada trabalhá-lo um pouco. No fundo sempre soube que isso talvez não possa dar certo. Mas se a Wendy pode voar só por contar a história do Peter Pan e a Sininho, então eu certamente posso estudar fora só por sonhar.

Olá realidade! Aqui estou eu, no Metrô. Depois do almoço, indo para ver meu sonho começar a tomar forma. Surpreendentemente um suspiro sai de meus lábios e lentamente o mundo dá voltas até que duas faixas pretas aparecem e em um simples segundo se juntam e a escuridão domina meu ser.

Estou no aeroporto. Minha mãe e meu pai estão lá acenando para mim e Amanda está no Skype fazendo o mesmo movimento que meus pais. Algo gelado escorre pela minha bochecha. Do nada, minhas pernas não me sustentavam mais e eu caí no chão. Uma dor misturada com culpa se inicia no meu peito. Chamam meu nome. Quando olho era o voo para o intercâmbio. Tentei me levantar, mas é como se meu corpo não deixasse, como se por um momento aquele sonho de infância fosse apenas um infeliz pensamento. Coloco as mãos sobre os olhos.

Quando crio coragem para olhar novamente vejo uma multidão de pessoas me olhando. Não no aeroporto, mas sim no metro. Eu peguei o meu celular para ver o que tinha de tão interessante. Mas a minha bolsa não estava do meu lado, porque eu estava no chão e ela no banco. Me levanto e sento. A esta altura todos já me esqueceram e voltaram a cuidar das suas vidas e sonhos. Bastou tocar no meu rosto para saber que estava chorando. Agora está tudo mais claro. Isso foi um pesadelo, sempre estive no mesmo lugar. Depois de um tempo em pleno choque que me lembro que a próxima estação era a minha. Um pensamento começa a me assombrar: “Será que eu não deveria ir para o intercâmbio?”. Pondero por uns segundos e salto na estação Uruguaiana. A cada passo que dava mais me questionava se era realmente aquilo que deveria estar fazendo.

Nunca vi uma acumulação maior de jovens como essa. Estou em um enorme hotel, para uma enorme palestra. Vejo um ou outro rosto conhecido. Como: a Ana da loja de sucos, o Mateus da minha sala e a Becky, uma aluna de intercâmbio que quer fazer intercâmbio no seu país. Eu acho essa garota meio doida, sabe quem abandona sua escola, para ir a outra e volta ao seu país mas resolve que durante mais alguns meses ira estudar em outro colégio. Ela não bate bem.

Se não fosse aquela soneca, sem dúvida sentaria na primeira fileira, mas agora resolvo sentar no meio, que é para aquelas pessoas que tem duvida se vão ou não fazer isso.

– Cada um de vocês – começa o orador – tem algo em comum. Vocês confiaram na Studincompany para concretizar seu sonho de fazer intercâmbio. – Meninos e meninas balançam suas cabeças em concordância . Eu apenas me questiono cada vez mais. – Sei que todos vocês esperam ir para Stayshow high school…- Mais uma vez afirmações foram feitas apenas com o balançar da cabeça e vários burburinhos de quando cada um passearia com quem e como as aulas lá eram as melhores. Eu já sabia de tudo aquilo, afinal meus seis anos de pesquisa não foram em vão. – Infelizmente nem todos irão para Los Angeles estudar. Vocês farão uma prova e serão classificados em cada estado. Quanto pior for, será outra escola. – Por essa eu não esperava. Durante anos pesquisei empresas e entrevistei pessoas que entraram no intercâmbio de cada uma que me impressionou, como eu nunca soube disso!? – Vocês receberão uma ficha para preencher com dados pessoais. Em duas semanas vocês realizarão um exame na PUC-Rio. Para entrar na escola Stayshow é necessário tirar de noventa a cem. – A partir desse momento, ninguém se atreveu a fazer qualquer plano para o futuro. Aquele homem tirou esperança de oitenta por cento dos alunos daquela sala. Como alguém era cruel o bastante para fazer isso. Até eu ,que nem sei direito se realmente quero fazer isso percebo o peso da situação, e estou sentindo uma indignação ameaçadora.- A ficha deve ser mandada em pelo ou menos uma semana. Obrigada pela atenção.-

Em segundos cada um presente tinha uma caneta e um formulário na mão. Todos escrevem eufóricos. Sabe, não custa nada completar, talvez eu nem envie. Se eu enviar eu entrarei em um caminho sem volta.

A dúvida é meu amante que me persuade para longe de meu raciocínio. A certeza é a amiga que nunca terei.

Formulário de intercâmbio

Onde quer fazer? EUA, Los Angeles.

Quando? 23/1/2016.

Quanto tempo? 1 ano.

Nome completo: Isabela Golpark Soirosisky

Sexo: Feminino.

Idade: 16 anos.

Cidade: Rio de Janeiro (RJ).

Celular: 55 21 99934-54008.

Telefone fixo: 2648-34592

CPF: 22 45 67 35 29

Contato de emergência: Adriana 55 21 94845-72735

Assinatura: IGS

Dei um grande suspiro. Quando levantei os olhos levei um susto. Aquele salão que dispunha de umas mil cadeiras do mesmo número de pessoas estava vazio. Só tinha eu e o faxineiro. Espantada, em um movimento sutil, levanto o meu pulso direito para ver as horas. Se eu estava sem palavras antes imagina agora. Não se passou apenas minutos mais sim duas horas; eu levei DUAS HORAS para preencher uma fixa sobre mim, com coisas que eu já sabia. Não é como se eu fosse fazer o Vestibular. Pego os meus pertences e com o nariz empinado saio da sala.

Casa, como eu amo essa palavra. Imagina quando eu puder comprar a minha… Aí sim essa vai ser a melhor palavra. Infelizmente ainda moro com os meus pais. Por isso quando dou um passo para dentro do apartamento…

– Como foi querida- diz minha mãe me abraçando. Nem pude entrar direito e já tem gente em cima de mim. D’s me ajuda, e põem consciência nela para eu poder descansar. Há, e se não for pedir de mais, me ajuda a descobrir o que eu faço no próximo ano. – Me conta TUDO. Eu sei que fomos duros com você ao dizer que só poderia ir por seis meses, mas mudamos de ideia. Vou sentir sua falta, mas sei que esse é o seu sonho. – Isso esta começando a me irritar. D’s não colocou juízo na minha mãe, mas ele fez o meu celular tocar.

– Mãe é a Sandra, eu vou lá ver o que ela quer. Deve ser importante.- Sandra é a minha melhor amiga. Ela me conhece desde antes de eu ter o meu sonho gigante. Nós somos um pouco diferentes, mas não tanto. Nossa cor favorita é azul e o amamos comprar vestidos, com chuva ou com sol.

– Amigaaaaa! ! Socorro, vem agora para o clube . – Diz Sandra na voz mais dramática que pode fazer.

– Eu também preciso de … – Digo, mas ela me interrompe antes que eu termine.

-Você me conta depois, minha situação é horrível .- Pelo jeito era algo muito ruim.

– Ok, te encontro lá .- Eu aceitei apenas para poder pedir sua ajuda. Sabia muito bem que ela não me ajudaria até eu estar na sua frente em carne e osso.

Um enorme portão de ferro a minha frente com galhos se contorcendo para se curvarem diante da entrada. Olho para o lado e vejo o porteiro mal humorado, ranzinza, grosso e preguiçoso de sempre.

Berrei meu nome mil vezes até Jeremias abrir o portão murmurando. Não me importo com a opinião dele, quem mandou ele ser irritante desse jeito, deve ser por isso que nunca se quer namorou.

Desço a enorme escada de pedra. Viro a esquerda e vejo a área das piscinas. Saio correndo a procura da doida da minha amiga. Bastou passar o olho pelas mesas para acha-la no local onde tinha mais bolsas. Através daqueles óculos escuros ela me viu, e em um salto já estava na minha frente me puxando para uma cadeira. Ela esta com uma cara estranha, com uma expressão sem vida. Quando já estamos acomodadas, ela olha para os dois lados, quando vê que está tudo limpo, fala:

-Eu não sei se devo te contar. – Se ela não quer me contar, então acho que devo ao menos falar o meu primeiro.

-Eu estou meio indecisa sobre ir para o…- Ela não fez isso.

– O seu não importa, deve ser menos do que o meu. Eu preciso que você passe bronzeador em mim. Não posso pedir para ninguém se não vão achar que não tenho amigos.-

Em segundos tinha um bronzeador na minha cara. Sandra faz um afirmativo com sua cabeça, o que quer dizer: “Pode começar”, mas eu não consigo mexer um músculo, estou pasma. Ela olha para mim incrédula.

– Não te chamei aqui para ficar me olhando. – Ela só pode estar brincando, né? Tenho certeza que sabia que eu estava REALMENTE em apuros, mas não, é muito mais importante passar um bronzeador.

Não sei se foi a extrema arrogância dela ou as dúvidas que não paravam, ou talvez os dois. Nesse instante, não existia mais o mundo, mas só aquela sena. Me levanto bruscamente da cadeira e saio correndo, chorando e lamentando cada momento das ultimas horas.

Bem, foi isso. Amanhã tem mais. Por favor deixa aqui em baixo se você gostou e compartilha o link.

Bjs, Sofi.

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